Nanoterra

29 DE SETEMBRO DE 2026

Nanoterra reforça agenda de competitividade, indústria e bioeconomia com participação no Conselho Deliberativo do CNPq

por Joaquim Araujo Neto

Iara Mendes derrama em um becker pó de açafrão da terra

Goiânia, outubro de 2026 — A capacidade de transformar conhecimento científico em tecnologia, produção e novos negócios será cada vez mais determinante para a competitividade da indústria brasileira. É nesse contexto que Iara Mendes Maciel, fundadora e diretora-executiva da Nanoterra, passa a integrar o Conselho Deliberativo do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), após indicação do Sebrae. O mandato, iniciado em setembro de 2026, terá duração de dois anos.

Para a Nanoterra, a participação ocorre em um momento estratégico para o país. O Brasil reúne uma das maiores biodiversidades do mundo, uma base científica consolidada e cadeias produtivas capazes de gerar valor em diferentes setores. O desafio está em aproximar esses ativos, criando condições para que pesquisa, propriedade intelectual e desenvolvimento tecnológico avancem até a escala industrial e contribuam para a geração de produtos de maior valor agregado, empregos qualificados e novas empresas.

Essa é também uma das premissas que orientam a atuação da Nanoterra. Sediada em Goiás, a empresa desenvolve tecnologias de nanobiotecnologia para transformar ativos da biodiversidade brasileira e resíduos de cadeias locais em nanoativos de aplicação industrial, com foco inicial no mercado cosmético. Sua plataforma tecnológica integra nanoestruturação, caracterização físico-química, estabilidade, aplicação em formulações e aumento de escala. A atuação parte da compreensão de que sustentabilidade e biodiversidade podem estar associadas não apenas à origem da matéria-prima, mas também à geração de conhecimento, tecnologia e valor dentro das cadeias produtivas.

Nesse sentido, a bioeconomia representa uma oportunidade de desenvolvimento industrial. Matérias-primas brasileiras podem originar ingredientes, processos, tecnologias e propriedade intelectual com aplicações em mercados de maior complexidade. A própria estratégia de impacto da Nanoterra conecta conservação da biodiversidade, valorização de cadeias locais, eficiência tecnológica e aproveitamento de resíduos à criação de ingredientes de maior valor agregado.

Para que esse potencial se converta em competitividade, entretanto, é necessário percorrer um caminho que vai muito além da descoberta científica. Infraestrutura de pesquisa, formação de pessoas, financiamento de longo prazo, proteção de propriedade intelectual, validação, scale-up e conexão com a indústria são partes de uma mesma agenda. Deep techs, empresas construídas sobre tecnologias científicas complexas, vivenciam diretamente esse percurso e podem funcionar como uma ponte entre o conhecimento produzido nas universidades e sua aplicação em cadeias produtivas.

O CNPq ocupa uma posição central nessa estrutura. Em 2025, a instituição registrou R$ 2,8 bilhões aplicados em fomento, além de aproximadamente 107 mil bolsas e 16 mil projetos vigentes. Seu Conselho Deliberativo é a instância superior de formulação de políticas da organização e participa da definição de orientações para o fomento e da apreciação de sua programação orçamentária.

A aproximação entre pesquisa e setor produtivo também já integra a atuação da instituição. Programas como o RHAE apoiam a inserção de pesquisadores em empresas e o desenvolvimento de projetos de inovação empresarial. Em chamada recente, mais de R$ 68 milhões foram destinados a 248 projetos, evidenciando a importância de instrumentos capazes de conectar profissionais altamente qualificados às necessidades tecnológicas da indústria. 

“Uma indústria mais competitiva depende da nossa capacidade de transformar conhecimento em tecnologia e tecnologia em produção. O Brasil possui biodiversidade, pesquisadores e competência científica. O desafio é construir pontes mais eficientes entre esses ativos, as empresas e o mercado. A bioeconomia nos oferece uma oportunidade particularmente importante de fazer isso gerando valor a partir da biodiversidade conservada e fortalecendo cadeias produtivas brasileiras”, afirma Iara Mendes Maciel.

Foto da Dra. Iara Mendes vestindo blaser branco e uma blusa preta.

A Nanoterra entende que o fortalecimento da bioeconomia brasileira passa pela construção de um ambiente no qual universidades, empresas, instituições de fomento, investidores, comunidades e indústria consigam atuar de forma complementar. A competitividade não estará apenas na disponibilidade de recursos naturais, mas na capacidade brasileira de pesquisar, desenvolver, proteger, produzir e escalar tecnologias derivadas desses recursos.

A participação de sua fundadora no Conselho Deliberativo do CNPq representa, para a empresa, uma oportunidade de contribuir com essa discussão a partir da experiência de quem vivencia o desenvolvimento tecnológico também sob a perspectiva empresarial. É uma agenda que conecta ciência, política de inovação e desenvolvimento produtivo, e que pode ajudar o Brasil a transformar sua capacidade científica e sua biodiversidade em indústria, inovação e geração de valor de longo prazo.

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